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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quanto vai valer um Dodge nacional em 2020 ? E 2030 ?


Caros,

Estou preso numa nevasca em Washington, EUA ... Vão quase 72 horas dentro de um quarto de hotel sem ter o que fazer ... Todo o comércio fechado, ruas desertas e cobertas de neve ... Aí a cabeça começa a funcionar ...

Todos nós que temos carros antigos, estamos de certa forma fazendo um investimento ... Pode ser um investimento bom, ruim e até involuntário ... Mas não deixa de ser ... Horas do nosso trabalho suado e sofrido se transformam em um carro antigo, outras horas se transformam em peças, mão de obra de mecânicos, funileiros ...

Não fazemos isso com o objetivo de lucro, pelo contrário sabemos das perdas, mas por outro lado é bom saber com que podemos contar em alguma contingência futura ...

Os Dodges nacionais subiram muito de preço porque muita gente passou a cobiça-los ... Velhos admiradores que no passado se contentavam com 1 ou 2 carros, hoje têm coleções de 5 - 10 - 15 carros ... E outras pessoas, que nunca se importaram, passaram a se interessar e desejar ter um carro desses ...

Isto fez com que o preços subissem. Outro fator foi a liquidez que a internet deu a esses carros ... Em finanças o conceito de liquidez é a facilidade que vc consegue sair de um investimento transformando-o em dinheiro ... A liquidez de um carro antigo, pré internet, era baixa ... Hoje quem tem, por exemplo, um Charger R/T 75 amarelo em bom estado, anuncia e fica sem o carro em poucos dias ... A liquidez faz os preço subirem ... O eventual comprador deste Charger R/T 75 não se preocupa tanto em fazer o investimento, pois sabe que quando desistir vai poder vender o carro com facilidade.

Mas e o futuro ?

Tudo dependerá da demanda ... E a demanda vai depender da vontade que as pessoas terão em ter este carro e de fatores macroeconômicos, ou seja, quanto dinheiro vai estar disponível para as pessoas ...

Vontade de ter estes carros acho que sempre vai haver, mas acho pouco provável que seja maior do que a atual .... Hoje vivemos uma febre de carros antigos, principalmente por aquilo que possa se parecer com um muscle car ...

Mas em 2020,e mais ainda em 2030, provavelmente estaremos vivendo outra matriz energética ... Provavelmente os carros já serão todos elétricos, a Bolívia será o novo oriente médio com suas gigantescas jazidas de lítio, indispensáveis para as baterias do carro elétrico ... E o Brasil com milhões de barris de petróleo no pré-sal, quase sem utilidade ....Será que as pessoas vão querer ter um carro barulhento, fumacento com motor a explosão ????

Num outro cenário hipotético, o desenvolvimento das energias alternativas não progridem tanto, se tarnsformando apenas em um nicho de mercado ... O Brasil enriquesse, sai da mísera e passa a ter uma classe endinheirada louca para comprar as coisas que gostam ... E aí os carros nacionais seriam cobiçadíssimos ... Este fenômeno aconteceu recentemente na Russia ... Os novos milionários passaram a investir em arte, mas só queriam arte russa ... Começaram a buscar obras de arte de artistas russos no mundo inteiro, e o preço das obras de arte russas foi para a estratosfera ... encontrar com a cadelinha Laika ...

O importante para defendermos nosso investimento é manter os carros dentro da maior originalidade possível, não dar espaço para clones (a menos que claramnete anunciados como clones), falsificações de modelos, etc... Vejo isso acontecendo muito com os Opalas .... Vários casos de carros que tem apenas a tarejeta de identificação e marcações de chassi transplantados em outras carrocerias em melhor estado ... Sem falar na troca de cores, uma vez que o GM não trás a cor de fábrica na plaqueta de identificação ...

Vamso cuidar dos nossos Dodges ... E indiretamente vamos estar cuidando dos nossos bolsos também ...

Abraços,

Badolato

Reston, VA, USA, 6/Fev/2010 (datei para no futuro a gente ver se as minhas previsões se concretizaram)

9 comentários:

  1. Baita inveja de vc aí Bandôlato... kkk nós aqui num calor de quase 40 graus, sobrevivendo na base da cerveja gelada...kkkkk. Mas concordamos com vc em número, gênero e grau. Acabei de comprar um Polara SE, na realidade só os escombros, mas é mais um carro que será salvo. Mais um que ficará para apreciação dos entusiastas da marca. Abs. Reginaldo

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  2. pra quem nasceu no fim nos anos 90 e vive o século 21 na onda do hip-hop, celular com TV e etc, danças robotizadas e estilo descolado, provavelmente vai querer um carro tunado ou uma moto-espacial elétrica que vai a 300 km/h!!! (o contrario dos meus sonhos de anos 50 a 80)

    mas EU digo NÃO a essa moda!!! nos anos 20 ou 30(quanto antes se possivel) deste século vou ter um dodge preservado nem que seja apenas sucata!!!
    vou ter um motor a explosão e acabar com o petroleo de uma vez só!!!

    vai ser os meus 30 a 40 e poucos de idade, em que a gasolina custara o que custou nos anos 1960, em torno de R$ 1,00 o litro!!!!!!!!!!

    e no fim da minha vida nos 70 ou 80 ( provavelmente 2070s) morrerei dentro de um DODGE!!!! e é isso, e ponto final!!!

    ah o preço de um dodge... em torno dos 200.000 reaizinhos ok (se ainda existirem dodges rodando!)

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  3. Badolato, muito importante refletir sobre isso.
    Eu sou jovem,e faço muito esses exercícios. A gente que estuda a história, acaba por conseguir "prever" o futuro.
    Uma coisa é certa: todos os carros serão colecionáveis, inclusive os Uno branco (alguém sentirá saudades dele, tenha certeza!). Daí, haverão outros, Uno Turbo, Tempra, algum Fiat Prêmio mais sóbrio e por aí vai... Mas veja bem, só haverá espaço para os rigorosamente originais! O resto é resto.
    Eu penso que os carros ganharão status de obras de arte, que é como eu os vejo. Então, os Dodge chegarão ao patamar de um Packard dos anos vinte, Cord dos anos 30 e vai por aí...

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  4. Concordo com Badolato.
    O futuro vai depender completamente da oferta/demanda. Essa explosão de preço/interesse pelos Dodges e outros nacionais (Maverick, Opala, etc.)é reflexo da geração que teve a infancia na década de 70, via os Dodges como um sonho distânte, e agora, já em fase de ganhar $$ consegue realizar esse sonho. Vai acontecer a mesma coisa com "as crianças" que cresceram vendo os Gols GTI, Escorts XR3, etc...na próxima década eles serão procurados/disputados.Você fala com os colegas que estão na faixa dos "50 a 60" eles tem mais predileção pelos Simca, Aero Willy's, Ford Custom, etc....acham os Dodges nacionais "muito novos".Ao contrário, vc conversa com jovens na faixa dos 15 a 20 anos e muitos não conhecem a linha Dodge. Quanto aos preços, acredito que eles vão subir um pouco mais e atingirão um patamar estável após este "boom".

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  5. Concordo com o Dart70sc e com o TrickDodge,eu acho que quem nasceu na minha época(nasci em 1993)vai gostar de golf tunado ,gol "panela de pressao",essas tranqueiras,salvos algumas excessoes como eu e o TickDodge.
    Pq eles soh veem isso na midia na rua e etc,entaum eles desejam esses carros.

    Quanto ao preço espero que não subi e nem caia muito,pq se subir eu nao compro o meu Triple Black,e se cair pode ocorrer outra chacina Dodgeiristica como nos anos 80.

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  6. Guilherme, não sei se concordo plenamente contigo.
    Um Dodge nunca será desejado como um Packard, e vice-versa. Exceto para quem desejou algum dia o Dodge ou um Packard. Lógico, mas eu explico.
    Sabe a idéia clássica dos gregos que diz que o que faz parte da razão nos chega através dos sentidos? É esse o ponto. Ou seja, é preciso ter tido contato, ter visto, sentido o cheiro, ouvido o barulho de um Packard - ou um Dodge - para conhecê-lo, admirá-lo, desejá-lo. Sem isso, eles deixarão de ser cobiçados um dia.
    O Luíz em seu blog outro dia discutiu isso, falando sobre os automóveis da década de 50 que estão sendo sequestrados por seus donos em casa ou galpões, pelo medo de se danificarem ou mesmo desgastarem (!). Acrescentei que, sem desfilarem pelas ruas ou encontros, estaremos privando uma geração inteira de conhecê-los, o que por sua vez pode redundar, quem sabe um dia, em total falta de interesse por estes carros. É mais ou menos como um garoto de 20 e poucos anos que sonha com o "Dodjão" e não entende pra que o sujeito leva um Gordini pra Lindóia, sabe?
    Pode parecer radical mas têm sua quantidade de verdade. Não esqueçamos que existem muitos carros e poucos donos, dentro da idéia de sucessão no tempo, que é em formato de funil, exceto pelos cenários econômicos que Badolato desenhou, mas que também não são boa garatia de longevidade. Se até Roma um dia perdeu os seus Césares, o que dizer de bens materiais, caros e difíceis de serem mantidos como estes, no horizonte que Badolato tão bem definiu, do futuro.
    Tudo acaba um dia, é certo. Não vejo como existirem mais carros preservados em 2030 do que hoje, claro. Mas isso, concordo com Badolato, requer mais do que restauração. Requer um valor cultural que não precisa necessariamente ser medido pelo momento econômico em vigor. É como os caras que comprarm vinil hoje em dia, ao invés de CDs. Existem, mas são muito menos do que há 30 anos.
    Se nossos carros fossem discos de vinil, ou fitas cassete, precisaríamos ensinar ao pessoal como se limpa uma agulha, se não eles vão acabar arranhando os discos.
    Abraços, Nik.

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  7. Nik, me diga quem é que sonhou em ter um Ford 29 0Km? No entanto, continuam aí, e a um valor nada abaixo dos outros antigos, prova de que não sobrevivem por causa daqueles que o queriam quando não podiam...
    E reforço aqui a minha tese: só os originais!
    Eu me lembro muito bem, quando criança eu queria ser colecionador de três carros: um Del Rey, Santana Quantum e Verona, eram esses os carros que me atraía aos 8 anos de idade, hoje, meu espectro é largo, incluindo os carros dos anos 10/20... Quando meu pai era criança, ele gostava dos carros dos anos 50, e se lembrava muito dos Ford 51, por isso comprou e mantém um, mas e você? de onde vem sua paixão por esses modelos? alguma paixão infantil? Não, você o admira por que estudou e conhece a história do carro...

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  8. Rsrsrs!

    Guilherme, em 29 não existia carro antigo, só novo ou sobre-novo! Isso foi inventado bem mais tarde! E pelo Badolato! ;)

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  9. Muito boa essa discussão a respeito de quanto valerá nossos estimados veículos de paixão e coleção...Concordo com todos os pontos de vista, e em especial no que disse o Guilherme, quando diz que as pessoas mudam de opinião (e gosto) a partir do estudo e conhecimento de específicos modelos e contato direto com eles...Caso mais emblemático é justamente essa nova geração de garotos que idolatram carros que não são do seu tempo, assim como eu, que tenho especial paixão por clássicos norte-americanos nascidos em 1957 (doze anos antes de mim), e tudo isso por conta de vários fatores...
    Mas voltando ao assunto, creio que a oferta de mercado sempre vai ditar os preços, mas a emoção de sentir um pushrod V8 empurrando as suas costelas e apertando seu peito contra o banco enquanto seu pé direito cavoca um pedal, isso sim faz a diferença !!!
    E falo isso porque ontem estive na oficina do meu grande amigo mecânico Evandro Parma, exímio conhecedor e apaixonado por clássicos Mopar, e fomos levar um Magnum 79 de um cliente, e quando pegamos um trecho de estrada e aceleramos por instantes o poderoso 318 Magnum injetado (vindo de uma Cherokee), ah, que sensação...
    Assim como a emoção de olhar para um Dart 77 bege com interno marrom, todo original, com banco inteiriço e caixa de 3 marchas na coluna de direção,com 72 mil km. rodados, de único dono, que fomos buscar no começo dessa semana em Porto Alegre, onde repousava depois de um longo sono de três anos...
    Não adianta, posso gostar desde Romi-Isetta até Cadillac, mas os Dodges estão no meu DNA, meu sangue...

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