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domingo, 2 de janeiro de 2011

Do Zâmbia, com carinho ...

Caros,

Abro o ano de 2011 com uma história para lá de insólita ...

No começo de 2010 eu vi um anúncio de um Dart 67 Sedan de duas portas no Ebay .. A gente que é velho de serviço, por foto já sabe quando se trata de um carro bom (raras vezes eu avaliei mal um carro por foto).


O carro era muito íntegro, maior parte da pintura original de fábrica ainda, uma bela ralada no lado do passageiro para afugentar comprardores ... Adorei !

Comprei o carro, que era tão básico como poderia ser: motor 170-1V, mecânico (raro nos EUA), sem ar, sem direção hidráulica, sem rádio (!!!) ... Mas numa elegante combinação de azul clarinho com interior azul escuro ...

Comprei o carro, que, alguns meses depois chegou a São Paulo ...

O anúncio dizia pouco, apenas que o carro estava aquecendo e que tinha sido adquirido de uma instituiçõa que o tinha recebido em doação do seu primeiro dono ou inventário ... Ou seja, o cara não sabia nada ... Nem da história do carro, nem de mecânica ...

De mecânica pois quando o carro chegou estava superaquecendo, mesmo com o sujeito tendo substituído o radiador original ... O problema ? Vávula termostática emperrada ... Tiramos ela e alacazam ... problema resolvido ...

Deixei o carro em casa e passei a utilizá-lo com alguma frequência .... Adorei o carro ...

Uma curiosidade foi ter encontrado no cofre do motor o Certicard do carro ... Certicard era um cartõa de alumínio que vinha no cofre dos veículos Chrysler, trazendo o VIN do carro, o nome do primeiro proprietário e outras informações do veículo.



      Puxei o Certicard e estava lá o nome de Elizabeth Colson, de El Cerrito, California ... Me chamou a atenção a primeira dona deaquela carro ser uma mulher, por ser um carro um pouco pesado, sem direção hidráulica ... 



 
     Alguns meses depois estava fazendo alguns reparos no carro, para ir com ele ao Mopar Nationals 2010, quando encontramos debaixo do banco um jornalzinho da UCLA (Universidade da California), datado de 1967 e destinado a Elizabeth Colson, no departamento de antropologia da UCLA em Berckley ...

    Aí me bateu a curiosidade ... Quando a gente compra um carro nacional, tenta esmiuçar o histórico dele ao máximo, em que concessionária saiu, de quantos donos foi, em quais cidades, etc ... Já os carros importados normalmente vem com uma impessoalidade e frieza total ... não se sabe nada deles .... E normalmente não se procura saber ... Mas por que ? Os carros que vem de fora tem tanta história quanto os daqui, fizeram parte da vida de pessoas, de famílias, de épocas ... Por que haveria de ser diferente ???

   Cheguei do Mopar Nationals e fui fazer uma pesquisa sobre Elizabeth Colson no Google ...
 Até aquele momento não sabia se ela estava viva, pois o anunciante bobão do carro tinha dito que o carro havia sido doado pelo dono original ou porseu inventário ...

  A surpresa foi saber que Elizabeth Colson era professora emérita do Depto. de Antropologia da UCLA até os dias de hoje ... Masi viva do que nunca, encontrei fotos, um vasto histórico dela e até alguns podcasts ... Moderna, não ?

 Ela ficou famosa pelos seus trabalhos antropológicos no Zâmbia, no coração da África, desde o início dos anos 70, época da foto abaixo:



   Escrevi uma carta para ela, contando do Dodge, anexando algumas fotos euma cópia do meu livro "Dodge, História de uma Coleção" ....

   E hoje, alguns meses depois, recebi um e-mail da ilustre senhora, do alto de seus 93 anos, direto do Zâmbia, onde resolveu se estabelecer em definitivo ....

   Segue a íntegra do e-mail abaixo:



Dear Alexandre Badolato,



Your letter telling me of the fate of my 1967 Dodge Dart gave me much


pleasure. I had enjoyed the car for many years and was delighted to see


how well it looked in its new home, polised and ready to go. I bought it


new in 1967 or early 1968 and at first thought it rather a dud because I


had to take it back to the dealers a number of times. Then it settled in


and behaved very well indeed for the next 40 years. I drove it to


Minnesota and back a number of times, so it has crossed mountains as well


as deserts. I must admit, however, that at the end I used it only in my


immediate area where I knew every kink and bump. It became very difficult


to make repairs - when a parking lot accident damaged the passenger door,


none of the repair places here could come up with a replacement. I gave


the car up, however, only several years later because I thought that 90


year old reflexes were probably not up to contemporary traffic.


My apologies for the length of time it has taken to write to you. I live


half the year in Zambia where my research has been focused for many years.


Your letter and the book on your first ten Dodge Darts were not forwarded


but were waiting for my return to El Cerrito. As you may know, I am an


anthropologist, retired from the University of California, Berkeley.
You asked for photos of the car when it was new. I have none, never


having been adept at photography. This means I will especially treasure


the photos you sent and I will enjoy thinking of the car appearing in the


book on the next ten Darts in your collection. Some of the ones in the


first book look as though they were resurrected from ancient wrecks. My


car left the garage under its own power and drove gallantly down the


street with its good side turned towards me.


Incidentally, I have decided to live permanently in Zambia where my


address will be: c/o The Moorings, P.O. Box xxxxxx , Monze, Zambia. My


email address remains the same wherever I may be.


Elizabeth Colson
 
 
     Legal, não ???? Para quem não é tão familiarizado com o inglês, ela conta que comprou o carro no final de 1967 ou início de 1968, dirigindo ele por 40 anos ... Nestes 40 anos, foi e voltou dirigindo o Dart da California até Minesota (longe pra caralho ...), atravessando as montanhas rochosas, desertos, etc ....
 
     A ralada que ele tinha do lado direto foi um acidente num estacionamento. Após este pequeno acidente ela resolveu para de dirigir, aos 90 anos de idade !!!!
 
    Esse mundo está muito engraçado mesmo ... Receber um e-mail do Zâmbia, da primeira dona do meu Dart 67 foi demais ...
 
   Bom para abrir um ano que promete muitas emoções Dodgísticas !!
 
   Feliz 2011 para todos !!!!
 
   Abraços,
 
 
    Badolato







16 comentários:

  1. Dodge não faz... ...Dodge é parte da história da vida de muita gente!!!

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  2. Incrível Badolato! Carros antigos são sempre surpreendentes!!

    Grande abraço,
    Guilherme.

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  3. Para mim a história mais bizarra que já escutei sobre Dodge!Muito legal ela ter respondido o email e saber que o carro que lhe serviu por 40 anos continua novo e andando e que assim permanecerá para sempre disso tenho certeza....rss...parabéns Badola!!!!

    Eu estava vendo uns vídeos no youtube e um deles era uma entrevista com o Billy Gibbons do ZZ TOP aonde ele diz que seu primeiro carro foi um DODGE DART 67,slant six.....rss...

    Abs,

    Moutinho

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  4. cara eu piro com essas historias! sem comentarios.
    a alguns anos eu tive um rt e estava com os docs enrolados, procurei o antigo proprietario depois de quaze um ano procurando acheio o cara.
    El é um senhor que tinha vendido o carro a 25 anos porque tinha falido (situação na qual se encontra), quando falei que o carro estava comigo ele desabou a chorar e me contar sobre o carro e as aventuras que ele e sua familia tinha passado a bordo do rt, enfim ganhei um amigo!!

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  5. Cara !!! Inacreditável !!! Incrível como um carro vale pelas suas histórias. É o que explico quando alguém me chama de louco por causa dos meus Dodges. Sei pouco sobre os meus carros, mas com certeza cada um guarda muitas histórias bacanas, vividas nas primeiras famílias as quais pertenceram! Eu fico alucinado com isso. Descobri que meu Dart 73 era originalmente de... MOEMA !! Acreditam nisso? 2 km de casa? O meu R/T era da Joaquim Távora (nem 2 km). Só o Magnum que foi sempre do RS desde zero.

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  6. Sensacional!!!
    Emocionante saber que uma senhora de 93 anos, no Zâmbia, afirma que vai guardar como tesouro as fotos recebidas do carro que foi seu por 40 anos nos EUA -do qual não tem nenhuma guardada- e que hoje faz parte do acervo de um museu dedicado aos Dodges no Brasil!
    Mais um capítulo muitíssimo interessante para ser contado em seu próximo livro (que desde já faço questão de deixar reservado na agenda do autor).

    Parabéns, um grande abraço e ótimo 2011.

    Irapuã

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  7. Putz, que história hein... sensacional!! Dá pra por na próxima edição do "Cobra in the barn" ou "hemi in the barn" (pra quem não conhece, livros com contos curiosos sobre achados automobilísticos).

    abraço!!
    JAmes

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  8. Show, Badola !!
    Todo Dodge tem uma estória legal...Não conheço um sequer que teve uma vida dita "normal", rsrsrs !!
    E esses nossos sobreviventes então ??
    Sensacional !!!

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  9. Badola, vamos trazer a Elizabeth para o lançamento do próximo livro!! Já pensou??? Ela e o Dartão no lançamento?? É o único Dodge do livro com o primeiro dono no lançamento. O avô do seu amigo (dono do COT) ainda está vivo?

    abraços

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  10. Vital,
    Seria o máximo, não ?
    O Sr, Murillo está vivo sim, com 103 anos e ainda bem viril !
    Pode ir também !!!
    Abraços,
    Badolato

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  11. Quem sabe o Sr Murillo e a Sra Elizabeth não se entendem, rsrsrs... Já pensaram?

    Abraços,

    Lincoln

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  12. Pô Linneu !!!!!!!!!!!! Sacanagem !!!! O sr. Murillo é casado !!! A esposa dele é um pouco mais nova que ele, tem só 99 anos ....

    Badola

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  13. fantastico! sao essas historias que dao magia ao mundo do carro antigo!
    Parabens!

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  14. AMAZING!!
    ASTONISHING!!

    To be never forgoten ein Badolato??

    Abraços do
    BLOG DO GARBOSO

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  15. Na década de 80,eu conheci na R.Minas Gerais,um Plymouth Fury 1966 que também tinha a carteira de identidade!!!O interior do ex-Dart da Lady Colson,é simplesmente fantástico,e espero que ele jamais seja refeito!!!!!

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  16. Lincão, a estas alturas querer arrumar casamento para o seu Murilo é muita imaginação. Se bem que a Elizabeth é um brotinho para ele, hahaha !!!!

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